Os 7 projetos de engenharia civil que você precisa ter antes de iniciar uma obra

Os 7 projetos de engenharia civil que você precisa ter antes de iniciar uma obra

Que é preciso planejamento antes de qualquer obra todo mundo já sabe.

Mas por onde começar?

 

Hoje vou te contar um pouco mais sobre os 7 projetos essenciais que você precisa ter antes de iniciar uma obra e mais um bônus que fará você economizar dinheiro além de garantir uma construção sem problemas futuros!

Agora vamos para a prática! Os 7 projetos essenciais são:

1. LEVANTAMENTO TOPOGRÁFICO

O projeto de levantamento topográfico é uma representação de um mapa cartográfico que contém todos os elementos geográficos do terreno.

Nele podemos ter bem representados as divisas conforme a escritura, para a locação e implantação da obra, ajuda também a definir planos de aterro e corte em terrenos acidentados, bem como outros elementos cadastrais e da legislação, como faixa de proteção ambiental, recuos impostos pela prefeitura e encostas.

Este serviço é feito por uma equipe de topografia, sob a responsabilidade de um engenheiro agrimensor.

Este mapa é a base segura de um projeto de arquitetura.

Contrate este serviço sempre que o terreno possuir conflitos de divisas ou muitos elementos geográficos que possam aumentar a complexidade da obra.

 

2. SONDAGEM DO SOLO

A sondagem é primordial para conhecer as características do solo e dimensionar a fundação ideal para a construção.

Sem um estudo prévio é difícil dimensionar se o solo comportará a carga imposta pela edificação.

E se o solo não resiste a carga do edifício, a obra está fadada à sérios problemas estruturais ou até mesmo ao desabamento.

Em alguns casos, quando o solo não resiste, a estrutura pode inclinar, colocando a edificação e seus moradores em risco.

Foi o caso do Edifício Núncio Malzoni, em Santos-SP, que sofreu uma inclinação de mais de 2 metros.

No ano de 2000, passou por uma operação de realinhamento. Essa foi a primeira vez no mundo que um prédio com recalque foi posto em prumo.

Exatamente por esse motivo que a sondagem é tão importante.

Dependendo dos resultados obtidos com o estudo do solo, a construção pode até ser financeiramente inviabilizada.

É interessante sempre investir uma verba para a sondagem do solo. Pois, se a obra apresentar problemas estruturais após já ter sido executada, serão necessários grandes investimentos para sua regularização.

Assista o vídeo abaixo que ilustra a história do Edifício Núncio Malzoni.

3. PROJETO DE ARQUITETURA

O Projeto de Arquitetura trata-se da interseção entre as necessidades do cliente e as normas dos órgãos competentes.

Esse projeto pode ser executado tanto pelo engenheiro civil quanto pelo arquiteto.

Embora ainda haja diferentes interpretações sobre as atribuições, a legislação vigente garante a função para os dois profissionais.

Portanto, nessa hora, é importante verificar a experiência de quem irá elaborar o Projeto Arquitetônico.

O Projeto de Arquitetura pode ser dividido em três partes principais: AnteprojetoProjeto Legal e o Projeto Executivo.

No Anteprojeto, as características da edificação serão definidas por meio de plantas-baixa. Após o cliente aprovar o Anteprojeto, o engenheiro civil ou arquiteto parte para o Projeto Legal.

O Projeto Legal tem como objetivo a aprovação da Prefeitura Municipal. E exige um estudo prévio sobre a legislação do uso do solo, plano diretor e outros.

Após aprovado pelos órgãos, é hora de desenvolver o Projeto Executivo, muito mais técnico e detalhado, ele será o mapa do tesouro para uma boa execução da obra.

 

4. PROJETO ESTRUTURAL

Este Projeto tem como objetivo dimensionar os elementos estruturais que irão sustentar a edificação.

Fundação, pilares, vigas, lajes, alvenaria estrutural são alguns dos componentes que serão dimensionados no Projeto Estrutural.

Por meio da análise do Projeto Arquitetônico e das características do solo é definido o tipo de sistema mais adequado à obra.

Sem o Projeto Estrutural a construção pode ser superdimensionada, o que geraria altos desperdícios de dinheiro (as vezes o desperdício é até maior que o valor do Projeto).

Ou até pior, subdimensionada, gerando problemas como fissuras, trincas, rachaduras ou até mesmo o pior dos casos que é o desabamento.

As etapas principais do Projeto Estrutural são:

  • visita ao local e estudos preliminares
  • escolha do sistema estrutural
  • dimensionamento dos elementos estruturais
  • cálculo da estrutura
  • elaboração do projeto e detalhamento

 

5. PROJETO ELÉTRICO

O Projeto Elétrico é a previsão das instalações com a localização dos pontos de energia, comandos, trajeto dos condutores e cargas elétricas.

Para a segurança dos moradores, o Projeto Elétrico residencial deve ser elaborado por profissional capacitado, como: engenheiro civil, engenheiro eletricista ou arquiteto.

Um Projeto Elétrico bem elaborado, além da segurança, contribui também para a economia na obra pois contém uma listagem exata dos materiais, evitando sobras e desperdícios.

Os Projetos Elétricos, no Brasil, são regidos pela norma ABNT NBR 5410.

Esta Norma estabelece as condições a que devem satisfazer as instalações elétricas de baixa tensão, a fim de garantir a segurança de pessoas e animais, o funcionamento adequado da instalação e a conservação dos bens.

Para garantir total eficiência e segurança, os materiais devem ser de boa qualidade.

Fios, cabos, disjuntores, chaves, entre outros, devem sempre estar dentro da conformidade com INMETRO.

 

6. PROJETO HIDROSSANITÁRIO

Projeto Hidrossanitário pode ser dividido em 3 partes:

  • Instalações de água fria
  • Instalações de esgoto sanitário
  • Instalações de águas pluviais

As instalações de água fria têm o objetivo de conduzir a água fria da fonte de abastecimento até os pontos de utilização (caixa d’água, torneiras, chuveiro).

Essas instalações devem ser projetadas e construídas de modo que forneçam água de forma contínua, de qualidade, em quantidade suficiente e com as compressões e velocidades adequadas para cada ponto específico da residência.

Os reservatórios de água fria devem suportar água suficiente para todos os moradores por, no mínimo, dois dias sem o reabastecimento pela rede pública.

O sistema de esgoto sanitário é um conjunto de tubulações que irão conduzir os dejetos da residência até uma rede pública de coleta ou sistema particular de tratamento.

Água pluvial é a água proveniente da chuva, deve ser coletada por telhados, calhas e tubos e liberado nas tubulações públicas próprias, sendo posteriormente lançadas nos cursos d’água, lagos ou no mar.

Não cometa o ERRO de lançar a água pluvial junto a rede de esgotamento sanitário!

A água da chuva é praticamente limpa, já o esgoto requer grande esforço e investimento para ser coletado e tratado. Portanto, jogar água limpa junto ao esgoto é um grande desperdício de dinheiro público.

 

7. PROJETO DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO E PÂNICO

Conforme a legislação do Estado de Minas Gerais, lojas, prédios residenciais, comerciais e indústrias devem possuir o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros – AVCB

Para conseguir a liberação do AVCB pelo Corpo de Bombeiros, primeiro é necessário a elaboração de um Projeto de Segurança Contra Incêndio e Pânico (PSCIP).

O PSCIP tem como objetivo:

  • Proporcionar condições de segurança contra incêndio e pânico aos ocupantes das edificações e áreas de risco, possibilitando o abandono seguro;
  • Minimizar os riscos de eventual propagação do fogo para edificações e casa vizinhas, reduzindo danos ao meio ambiente e patrimônio;
  • Proporcionar meios de controle e extinção do incêndio e pânico;
  • Dar condições de acesso para as operações do Corpo de Bombeiros Militar;
  • Garantir as intervenções de socorros de urgência.

 

O PSCIP será obrigatório nas seguintes ocasiões:

  • Regularização de edificação e ou área de risco construída ou a construir;
  • Ampliação de área construída;
  • Mudança da ocupação ou uso;
  • Modificação das medidas de segurança contra incêndio e pânico;
  • Modificação de PSCIP aprovado;
  • Realização de evento temporário;
  • Abertura de empresa, quando necessário.

 

Acompanhe abaixo o vídeo que fala sobre a importância do Projeto de Combate a Incêndio.

Atualmente, são 41 Instruções Técnicas que devem ser seguidas para obtenção do AVCB e podem ser visualizadas no próprio site do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, nesse link.

 

BÔNUS! GERENCIAMENTO DA OBRA

O objetivo do gerenciamento é garantir que a obra aconteça no prazo, sem estourar o orçamento, fiel aos Projetos e com qualidade.

Por lei, é obrigatório o alvará de construção ou reforma, e para conseguir o alvará é necessário a presença de um profissional habilitado pelo CREA ou CAU (engenheiro civil ou arquiteto).

Mas em muitos casos não é essa a realidade.

De acordo com a Lei Federal 5194/1966 que regula o exercício das profissões de engenheiros e técnicos, e da Lei Federal 12378/2010 que regula o exercício da Arquitetura e Urbanismo, pessoa física ou jurídica não habilitada NÃO pode exercer as atividades destes profissionais.

Projetar e executar uma edificação é uma atividade técnica que acarreta em responsabilidade civil e penal ao profissional habilitado.

Portanto, o profissional é responsável pela segurança e solidez da obra.

Se durante a construção ou após sua conclusão, acontecer algum acidente ou desabamento, o profissional pode ser responsabilizado se comprovada sua culpa ou omissão.

Se o proprietário não contratar um responsável técnico para sua obra, é ele quem será responsabilizado por qualquer problema que vier a ocorrer, mesmo que a causa do problema seja externa por exemplo: uso de material defeituoso na obra ou problema causado por intempérie.

Então, executar obra sem responsável técnico é ilegal, mesmo sem acidente.

 

 


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